Penso que viver como irmão marista é procurar viver segundo a maneira de Maria e de Marcelino Champagnat.
Maria é aquela que acreditou que para Deus «nada é impossível». Ela é a que deu seu «sim» aos desígnios de Deus: «Eis aqui a serva do Senhor». Como Maria, Marcelino Champagnat colocou sua confiança em Deus, em seu poder, convencido de que «se Deus está conosco, não há nada impossível». Era na oração que ele procurava conhecer a vontade de Deus e encontrava o estímulo para os seus projetos. Ele gostava de rezar com o salmo 126: «Se o Senhor não constrói a casa, em vão labutam os seus construtores». Sim, todo o mérito é revertido a Deus. Maria e Marcelino Champagnat tiveram um coração totalmente disponível a Deus e aos outros.
E eu? Quando releio alguns momentos de minha vida passada, fico maravilhado diante daquilo que pude realizar. Não posso fazer nada senão dar graças a Deus por tudo o que fez através de mim e às vezes apesar de mim, apesar de minhas limitações e minhas fraquezas. Posso dizer que foi Deus que fez tudo em mim. Em ocasiões significativas, no momento de tomar decisões importantes, me dirigi sempre ao Senhor: «O que queres que eu faça?». A resposta me foi dada depois de algum tempo de oração e de reflexão com os outros, através de um acontecimento, de uma pessoa, de um superior. Tendo chegado à idade da aposentadoria, penso que estou sendo chamado a uma maior disponibilidade para o serviço de meus irmãos e de minha província marista.
Maria participou dos momentos-chave da vida de seu filho Jesus, como o nascimento e a morte na cruz. Comungou de suas alegrias e de seus sofrimentos. Marcelino Champagnat orientou toda a sua vida em direção a Jesus Cristo, com a ajuda de Maria: «Tudo a Maria para Jesus». Eu também fui chamado a centralizar minha vida em Jesus Cristo. Na oração e na Eucaristia me nutro da vida de Deus e me deixo invadir por ele. Somente desta maneira posso continuamente anunciar Jesus e dar testemunho dele. «Não posso ver uma criança sem que seja apoderado do desejo de lhe dizer o quanto Deus o ama». Sim, o mais importante é saber que Deus ama a cada um, tal como ele é, com amor gratuito, e basta deixar-se amar por ele. Mas é difícil para nós aceitarmos um amor gratuito. Embora tenha me aposentado, continuo me interessando pelo mundo dos jovens, procurando conhecer e compreender os jovens de hoje.
«Maria conservava todas estas coisas em seu coração.» Ela interiorizava estes acontecimentos vividos com seu filho, mas sem guardá-los somente para si. Ela deu Jesus ao mundo e participou do nascimento da Igreja. Penso também que devo partilhar todas as riquezas que recebi, intelectuais, espirituais, materiais. Procuro acolher a todos os que batem à nossa porta, disposto a dar-lhes tempo de escuta. São Marcelino Champagnat pertence à Igreja como um todo. E nós temos que torná-lo conhecido, temos que partilhar o seu carisma. Nossa missão, seja ela qual for, pode ser vivida em união com os leigos maristas. Ainda que eu esteja agora menos em contato com os jovens, estou disposto a acolhê-los e a partilhar com eles minha experiência com as equipes de catequistas e educadores.
Penso também que sou chamado a viver a fraternidade de uma maneira privilegiada no Instituto dos Irmãos Maristas. Sem desprezar minha família «de sangue», eu escolhi prioritariamente minha grande família religiosa. Sinto-me feliz de fazer parte dela e em toda parte eu me sinto em casa. Participo com alegria da vida do Instituto, à qual eu contribuo com minha pequena pedra. Vivo a fraternidade no quotidiano da comunidade. Procuramos viver o amor fraterno respeitando as pessoas, com um grande espírito de abertura e partilhando nossas vidas.
«Que se possa dizer dos Irmãozinhos de Maria o que se dizia dos primeiros cristãos: Vejam como se amam!» |