Irmã Grazia Anna Morelli, italiana missionária na Nova Caledônia, reflete sobre a maneira de tornar-se marista: deixar-se inspirar por Maria.
Responder adequadamente a esta questão não é uma coisa simples, porque o espírito de Maria é algo tão delicado e profundo «que só se pode alcançar através da meditação e da oração contínuas». Apesar disto, procurarei encontrar as palavras para poder compartilhar um pouco daquilo que eu vivo.
Ser marista, deixando-me inspirar por Maria, significa para mim essencialmente estar centralizada em Deus e em seu filho Jesus.
Ser marista para mim é deixar-me inspirar pelo coração, pela vida de uma mulher que antes de tudo fez a experiência da «potente impotência» do AMOR de Deus. Ela fez a experiência de um Deus que se dá sem saber se será acolhido ou recusado. Isto é característico do amor verdadeiro, esta é a gratuidade. Maria o compreendeu em si mesma e isto é o que eu respiro quando me deixo inspirar por ela. Há algum tempo compreendo que este rosto de Deus, o Amor, sua verdadeira identidade, é a única força verdadeira que modela também nossa verdadeira identidade de homens e mulheres «corteses». Não é fácil amar os que nos rechaçam... mas Deus o faz e este amor consegue abrir uma brecha nos corações mais trancados. Maria compreendeu isto ao longo de sua vida e fez desta a sua maneira de viver. Ser marista significa para mim fazer o mesmo, ali onde estou.
Ser marista é também, como Maria, se comover e ao mesmo tempo ficar plena de espanto diante da extrema HUMILDADE de Deus. São Paulo, na Carta dos Filipenses 2,6-7, diz: Cristo Jesus: ele tinha a condição divina, e não considerou o ser igual a Deus como algo a que se apegar ciosamente. Mas esvaziou-se a si mesmo e assumiu a condição de servo, tomando a semelhança humana (...)
Maria sabe disto, foi testemunha disto. Esta humildade, embora sob forma diversa, ela mesma viveu quando na Igreja nascente era a alma da comunidade apostólica, permanecendo na sombra.
Ser marista é, portanto, aprender desta humildade o que significa ser plenamente humano, à imagem de Deus e segundo a sua semelhança. É maior, dirá Jesus, aquele que se faz o menor. Aquele que quiser tornar-se grande entre vós seja aquele que serve (Mt 20,26).
Este é certamente o mundo ao contrário. Sim, é o evangelho: o contrário dos valores de um certo mundo que acredita ser suficiente a si mesmo, que acredita poder obter a paz com a guerra e a liberdade dos povos simplesmente mudando de ditador. O evangelho que Maria acolheu em sua própria vida é uma Boa Nova para os homens e mulheres de hoje e de todos os tempos. Sim, uma Boa Nova que faz de todos os que a escutam pessoas fortes da debilidade da Ressurreição.
Assim... ser marista é isto: deixar-se inspirar pela Virgem Maria, é viver segundo o seu espírito. |