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Viver o espírito marista como uma SMSM
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Irmã Jennifer Clarke - Australia  Austrália
Irmãs SMSM
 
A Ir. Jennifer Clarke, da Austrália, conta a viagem de sua descoberta de Maria e de como os maristas vivem o espírito de Maria.


Chamava-se Maria
O fato de ter conhecido as SMSM na Jamaica me levou a fazer uma maravilhosa viagem de descoberta de mim mesma e das SMSM. Minha experiência com elas consistiu antes de tudo em ver que elas tinham uma familiaridade com Maria que eu não havia encontrado anteriormente, o que foi para mim a descoberta da essência do espírito marista. Inclusive, foi nesta etapa que compreendi que o espírito marista não se ensina, mas deve ser captado.

Quem é esta Maria?
Quando eu estava crescendo, Nossa Senhora era para mim o paradigma de todas as virtudes, mas impossível de imitar; era doce e mansa, tão completamente distinta que não havia possibilidade de uma relação pessoal. A Maria que acabei descobrindo é uma mulher que correu riscos, proclamou radicalmente uma nova ordem, foi fiel à sua verdade interior e trabalhou caladamente, na sombra.

A experiência que fiz em Bangladesh me proporcionou uma nova avaliação da fé imensa e do enorme risco que Maria assumiu ao dizer «sim» àquilo que Deus lhe pedia. No contexto de Bangladesh eu havia visto muitas coisas sobre os perigos de ficar grávida fora do matrimônio e de como as meninas aprendiam desde cedo a proteger a honra da família. A partir dali eu pude compreender melhor aqueles riscos e a fé que era a de Maria.

Caminhar quilômetros e quilômetros a pé, com tanto sacrifício, é o que muita gente faz em Bangladesh. Maria saiu depressa para ir até a região das colinas. E acrescentou outro desafio: uma viagem com qual objetivo? Maria estava indo para prestar ajuda, para partilhar com outros que também se encontravam em uma situação inesperada ou esta era uma prova manifesta de como estava saindo rapidamente de seu estado de comodidade em favor de todos nós? Seu canto de louvor expressa realmente sua esperança de que a vinda de Deus conduziria o mundo a uma nova ordem, a uma situação de justiça para os pobres, e a consciência de que sua própria posição era de serva humilde, disposta a seguir o desejo de Deus.

Um dos relatos do Evangelho que aprecio mais particularmente é o das bodas de Caná. As últimas palavras de Maria ditas no texto são: «Fazei tudo o que ele vos disser». Que risco enorme! Para mim isto indica um grau de comunicação entre Jesus e Maria que certamente foi crescendo durante os anos passados em Nazaré. Jesus é aquele que nos diz que através dos frutos se conhece se uma árvore é boa ou má, e Jesus era o fruto do seu ventre. Maria sabia muito bem, desde o episódio da perda e do reencontro de seu filho no templo, que Jesus tinha suas próprias idéias. E ainda assim correu o risco de passar vergonha pela resposta que ele lhe deu, isto é, que ainda não tinha chegado a sua hora. Com segurança ela falava a partir de sua própria verdade, um contato interior com o Espírito, quando disse: «Faça-se em mim segundo a tua palavra».

A Maria que estou chegando a conhecer agora é a grande mulher que rezava com seus discípulos, quando estes lutavam para entender o significado da vida, morte, ressurreição e ascensão de Jesus e a promessa do Espírito. O que se passaria depois? Enquanto eles se debatiam em seus pensamentos, ela estava ali, com simplicidade, em sintonia com seu Deus e esperando mais uma vez que a sua vontade se manifestasse.

Amor de Deus
O amor de Maria por Deus sustenta todos os outros. Também nós somos chamados a abrir nossos corações ao amor que Deus tem por nós, para que possamos levar a palavra do amor de Deus ao nosso mundo. O desejo de permanecer intimamente ligado a Deus é uma resposta à sua chamada e nos conduz à oração que nos nutre e ao mesmo tempo nos desafia.

Este estado pleno de oração acontece tanto nos momentos em que rezamos com intensidade como naqueles instantes em que somos conscientes da presença de Deus. Abandonar-se ao amor de Deus significa olhar em torno de nós com olhos de quem ama. Um dos momentos mais especiais para mim aconteceu quando estava em um cruzamento de ruas de tráfego intenso na cidade de Dhaka, quando experimentei o amor de Deus por todos em meio àquele caos de sociedade, longe da serenidade dos altos cumes.

Viver o espírito marista é uma chamada à conversão. Devemos nos impregnar do espírito de quem nos chamou com tanta gratuidade. O Padre Colin disse que «o espírito de Maria é algo muito delicado e profundo, que se pode alcançar somente através da meditação e da oração constante». Isto foi o que descobri quando procurava aprender o que é o espírito marista. Não é um espírito de devoções, nem o fato de conservar Maria em cima de um pedestal. É muito mais um caminho de relação, de chegar a conhecer mais sobre Maria tendo por base a meditação do Evangelho. Esta relação se sustenta quando me esforço em saber como ela pensa e age, quando me dirijo a ela em busca de guia e deixo que ela se encarregue de nossos trabalhos.

Termino dizendo que escrever este artigo me ajudou a refletir sobre a minha própria experiência de viver o espírito marista segundo minha condição de SMSM. Espero que esta partilha tenha sido uma contribuição, como um convite para que deixem Maria ensiná-los a «pensar, falar e agir como ela, e a viver como se vivessem a sua vida».
 
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