A Irmã Gemma Wilson sm reflete sobre a sua experiência do impacto da presença marista nas pessoas com as quais ela vivia e trabalhava e a diferença que pode fazer nas suas vidas.
No decorrer dos anos muitos pessoas falaram que nós, as Irmãs Maristas, somos “acessíveis”, “ordinárias”, e “humanas”. Esta foi a minha experiência em vários países com as suas culturas contrastantes. Seja depois da Missa, no supermercado, na rua, no ônibus, na fila, nas suas casas, as pessoas sentem que pode compartilhar as suas vidas conosco. As Irmãs Maristas se sentem em casa nas casas do povo da sua paróquia ou do bairro, especialmente nos momentos de doença ou de morte, de nascimento, de celabrações ou de tragédias, e o povo se sente em casa nas nossas casas também. Acima de qualquer trabalho pastoral ou trabalho social que podemos fazer numa paróquia ou numa cidade, nós nos sentimos muito próximas às pessoas no dia a dia. Somos as suas vizinhas e as suas amigas, e partilhamos as suas ansiedades. Se tiver um problema na vizinhança é nosso problema também e estamos involvidas com o nosso povo na procura de soluções.
Talvez o aspecto mais importante desta presença “Nazarena” é a capacidade das Irmãs Maristas para escutar. Tenho um senso que valorizamos muito estes momentos informais, não-planejados, quando podemos ser uma presença de Maria simplesmente escutando a história de alguém, como ela certamente fez nas ruas de Nazaré. Muitos das minhas irmãs no decorrer dos anos compartilharam comigo como escutaram, sem comentar, fortalecendo a outra pessoa simplesmente pelo dom total de sua compaixão, a escuta incondicional. As vezes a escuta é planejada e formal mas muitas vezes acontece espontaneamente, em muitos lugares diferentes, porque as pessoas se sentem a vontade conosco, sentem que nós somos as suas irmãs.
Um exemplo vem de nossa experiência trabalhando aqui em Mirador Escondido em Guadalajara. Muitos vezes quando estamos saindo da Igreja pequena onde asistimos na Missa diariamente, ou saindo para a venda por perto para comprar o pão ou o leite, ou sentando no onibus, quando peguntamos como alguém está, escutamos sobre as tragédias silentes que estão acontecendo ao nosso redor. As vezes podemos fazer algo prática, or sugerir algum jeito de agir, mas muitas vezes a pessoa só precisa de alguém para escutar a sua história. Creio que não é somente o trabalho que fazemos aqui, mas também a nossa presença, a proximidade física e psicológica às pessoas, que contribuem à chegada do Reino de Deus numas formas que talvez nunca ficamos sabendo. São os momentos Maristas, os momentos “escondidos e desconhecidos”, os momentos poderosos mas discretos, quando levamos o amor de Deus a nossas irmãs e a nossos irmãos como Maria o fez em Nazaré e na Igreja nascente.
Cheguei a crer que as pessoas de fato experimentam em nós aquilo que nós chamamos de “espírito” Marista e que descrevem usando as palavras que já usei: “ordinárias” “accesíveis” “simples”, ou “como nós”. Tem a ver com onde moramos e como vivemos. Tem a ver com estando lá fora nos lugares onde as pessoas moram e trabalham e conversam, mas tem muito mais a ver com aquilo que recebemos no decorrer dos ultimos quase duzentos anos. Acima de tudo tem a ver com estar como Maria de Nazaré, que estava lá no meio do seu povo, discretemente mas efficazemente, sem chamar atenção, as ajudando para ser livres e felizes e a conhecer o seu Deus como um Deus de amor e de misericórdia.
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