A ação dos Maristas para a Igreja, o mundo e a educação, principalmente na atuação das obras sociais, junto aos mais abandonados, que clamam por justiça e humanização, faz a grande diferença. As intuições de São Marcelino Champagnat, respondem aos apelos da contemporaneidade de forma peculiar, com um modo de ser criativo e contagiante, envolvendo cada vez mais padres, irmãos, irmãs e leigos na missão marista.
O espírito de família, calcado no Lar de Nazaré, cria um clima de acolhimento e sentimento de pertença por parte dos leigos (as), gerando grande compromisso e responsabilidade das pessoas envolvidas. Como leiga, tive a oportunidade de participar da Assembléia Internacional Marista, realizada durante nove dias em Mendes (Rio de Janeiro), solo sagrado dos maristas no Brasil, com representantes de 78 países, reunidos como discípulos e discípulas, para construir um futuro diferente com Maria e Champagna. Este encontro significou a culminância de todo um processo vivido em todas as realidades maristas do mundo, nas suas diversas etapas locais e provinciais.
Partilhamos juntos nossa alegria e sonhos como parceiros da missão marista. As reflexões, testemunhos e sentimentos vividos, reavivaram em nós a chama do carisma de Champagnat e o nosso compromisso com o anúncio da palavra de Deus, sentindo o forte apelo de ir ao encontro das crianças e jovens, principalmente os mais necessitados.
Percebemos na grandeza do educador e Santo Champagnat, o anúncio constante da Boa Nova, a luta e empenho pela realização de seus sonhos, a confiança depositada na Boa Mãe, o seu Recurso Habitual, a sua capacidade de amar e acolher, a todos (as), escutando e atendendo aos apelos das crianças e jovens marginalizados pela sociedade de seu tempo.
Caminhamos assim, para a Assembléia Internacional Marista: com muita emoção, expectativa, responsabilidade, para discernir no coletivo qual a nossa resposta aos apelos contemporâneos, neste momento da missão marista. Era como se fosse um presente e uma dádiva de Deus, desfrutarmos desta experiência tão rica e significativa.
Nos primeiros contatos com os participantes, percebemos a riqueza da sua diversidade, representando culturas e costumes diversos, sentindo no entanto, algo que ressoava e era sentido por todos e todas: a mesma inspiração, o espírito de família, a alegria, a simplicidade e a capacidade de acolhimento, mesmo enfrentando o desconhecimento de algumas línguas. Houve expressões de vida e sentimentos, partilha das inquietações, constatações e desafios comuns. Refletíamos acerca do fato de existir algo tão comum e peculiar aos participantes, com histórias de vida e uma diversidade cultural tão acentuada, experimentando numa atitude profética o diálogo, no contexto e na riqueza da interculturalidade.
Dentro do tema gerador: Sonhando o futuro que Deus quer para nós, escutamos histórias de vida de crianças e jovens e sentimos o clamor de seus apelos. Realidades maristas oriundas de muitos países, foram encenadas por crianças e adolescentes de uma comunidade carente (escola), também assumida pelos maristas. Através da música, da dança, das falas, gestos e expressões diversas, captamos os seus sentimentos, a realidade de muitos Severinos e Marias do mundo. Percebemos a grandeza dessas criaturas em nossas vidas, como verdadeiros dons de Deus, sentido-nos responsáveis em oferecer-lhes oportunidades para desenvolver e fazer desabrochar as suas possibilidades e os seus diferentes talentos.
Aprendendo com as respostas maristas, foi o tema desenvolvido posteriormente. Compartilhamos de muitas experiências inovadoras já vividas pelos maristas no mundo, inclusive a vivência de uma comunidade mista (leigos e irmãos). Refletimos sobre a vocação marista de leigos e irmãos, tentando localizar o que é comum e específico nestas vocações. Avaliamos as experiências já vividas consideradas exitosas, àquelas que precisamos melhorar e as outras que fazem parte de nossos sonhos e esperanças. O mergulho neste tema, provocou o aumento de nosso sentimento de pertença ao Instituto, engajamento e co-responsabilidade com a missão. Assim, expressamos, sentimos e sonhamos com o futuro que Deus quer para nós.
O Espírito Santo nos acompanhou, fazendo-nos refletir e acalentar algumas possibilidades que antes não localizávamos, aumentando a nossa parceria enquanto irmãos e leigos (as), provocando uma revolução em nossos corações.
.E aí, quais as implicações de nossos sonhos? Que novidades queremos que aconteça. A mandala foi o símbolo escolhido para representar o núcleo de nossa missão, materializado em muitos sonhos, audácia e esperança.
Na rica caminhada feita, nos sentimos de fato comprometidos com a missão. A centralidade de Jesus Cristo em nossa missão, o foco nas crianças e jovens abandonados, o estar a serviço, as dimensões da missão e da comunidade, a figura solidária e silenciosa de Maria, a necessidade de novas relações entre irmãos e leigos, com vibração, alegria encanto, re-encanto e formação conjunta, foram alguns elementos presentes no material construído pelos grupos. De fato, o tema da Assembléia Internacional Marista, um só coração e um só espírito, foi vivido com grande intensidade, articulando a fé, a cultura e a vida. As pessoas partiram para seus países de origem , levando consigo, o desejo de compartilhar cada vez mais o carisma e a espiritualidade marista. Irmãos e leigos (as), vocações diferentes e complementares.
Afinal, os maristas fazem diferença no mundo! |