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Viagem espiritual marista através dos mistérios do rosário
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Agnes, Caminho Marista  Inglaterra
Leigos Maristas
 
Agnes, Caminho Marista, Inglaterra, conta a viagem espiritual marista de sua vida, através dos mistérios do rosário.
O Caminho Marista na Inglaterra está vinculado aos Padres Maristas e às Irmãs Maristas.



A espiritualidade marista, tanto em sua maneira de pensar como em sua aplicação nas atitudes e nas atividades de minha vida diária, tem sido parte integrante de minha viagem de fé, muitas vezes sem que eu mesma seja consciente disto. Nos primeiros anos 90, a presença dos Padres Maristas, que até então eram parte inquestionável da vida de nossa comunidade, se terminou de maneira abrupta. Por causa desta ausência eu me dei conta de que maneira eles haviam nutrido meu crescimento espiritual. Foi só depois que partiram que tive plena consciência do que até então considerava garantido.

Como conseqüência, reconheci a necessidade, não apenas para mim mas também para os outros, de começar a preencher o imenso vazio que os Padres tinham deixado ao partirem de minha cidade, depois de quase 100 anos de apostolado nela. Eu já estava empenhada no Caminho Marista, mas enquanto grupo estávamos nos sentindo isolados. Quando chegou a ocasião de nos unirmos a outros grupos no Reino Unido para desenvolvermos a espiritualidade marista dentre os leigos, me empenhei com grande satisfação.

Eu deveria pensar naquilo que tinha feito com que eu me sentisse marista. Deduzi que era minha compreensão da vida de Jesus, vista através de Maria, desde a Anunciação até o Calvário e a Ressurreição, além da fundação da Igreja na Pentecostes, que é colocada em evidência pela declaração marista que Maria estava ali no começo da Igreja e estaria ali até o fim. Por isso escolhi o rosário como marco da minha história. Com ele sigo compassadamente as vidas de Jesus e de Maria, e ao mesmo tempo me ajuda a explicar minha visão marista.

Reflito sobre a incerteza que Maria deve ter experimentado no princípio, quando aceitou incondicionalmente ser a mãe de Jesus, transfiro para a vida de tanta gente hoje e fico pensando como ela teria visto. Imagino o sentido prático de Maria quando foi visitar sua prima Isabel, o tempo de espera até o nascimento de João Batista. E contemplo o trauma de Zacarias, um mestre que se viu ele mesmo incapacitado de fazer seu trabalho, e o comparo com a situação de tantos desempregados e sem documentos, como existem na sociedade de hoje. E me pergunto: o que pensaria Maria?

O fato de que ela tenha dado à luz longe de sua casa pode ser colocado em relação com as famílias e pessoas sem teto de nosso próprio país nos dias de hoje, coisas de que tanto se ouve falar. Pessoalmente me identifico com a ansiedade que teria experimentado, quando Simeão lhe anunciou o sofrimento que deveria enfrentar e penso na tristeza que eu mesma tive com a perda de meu irmão de 25 anos, depois de dois anos de intenso sofrimento, de uma irmã de 27 anos, que era mãe de uma jovem família e que morreu cedo e repentinamente, e no falecimento de meu marido aos 50 anos de idade, quando esperávamos desfrutar o resultado de nossos trabalhos. Eu já estava preparada para alguns destes fatos, mas outros aconteceram de repente. Os Padres Maristas me ajudaram incondicionalmente em todas estas situações. Quando penso na fuga para o Egito, vejo Maria em meio aos sem recursos e aos que buscam asilo no mundo de hoje, e imagino estar no seu lugar. Então me pergunto: o que sentiria Maria?

Imagino os detalhes dos anos silenciosos e meditativos de Maria, criando Jesus em Nazaré. Faço a conexão com o medo e a aflição que pode ter sentido, quando se perdeu de seu filho durante três dias, com a vida dos pais que «perderam» uma criança, ainda que seja apenas durante alguns angustiados momentos, no parque ou no supermercado. Eu não tenho filhos, mas acho que compreendo a ansiedade dos pais. Quem pode estar alheio à preocupação de uma mãe que percebe um problema em uma reunião familiar, estando consciente do aparecimento de uma necessidade, como fez Maria em Caná, ao sussurrar o que deveríamos fazer? Penso em Maria quando vejo os pais inquietos pelos passos de seus filhos, que parecem se perder no caminho. Solidarizo-me com eles quando os vejo que parecem humilhados por seus filhos, sem entender as coisas completamente. Comovo-me muito e penso: seria um grito de socorro? E me pergunto: como Maria julgaria isto?

Logo depois vamos ao Calvário e lembro-me a desolação dos meus pais quando perderam seus filhos. Vai contra a lei da natureza que os pais tenham que ver a morte de seus filhos, não importa a idade. Também nestas ocasiões nossos amigos maristas estiveram ao lado deles e de toda a família.

Depois, tudo é pura conjectura. Não temos histórias de corpos que desapareceram milagrosamente, nem de resurreição entre nós. Mas conheço gente com suas cruzes, cruz sobre cruz. Como fazem para suportá-la, o que fizeram para merecê-la? Eu não sei como fazer para ajudar. Sei apenas que de alguma maneira Maria estava ali, em meio ao sofrimento deles. E me pergunto: o que faria Maria?

Por tudo isso, minha história gira em torno dos episódios narrados nos mistérios gozosos, dolorosos e gloriosos do rosário. A Anunciação e a Ascensão aos céus. Estes aqui são dois acontecimentos, e tudo o que ocorreu entre eles, está inextricavelmente interrelacionado com Maria e se constituem as raízes da espiritualidade marista. Não posso fazer a experiência de Jesus ou de Maria separadamente. Jesus prometeu que estará conosco sempre, até o fim dos tempos, e portanto Maria também estará.

Tudo o que posso lhes dizer é que minha vida foi reconfortada pela influência marista e tenho verdadeira paixão em transmitir minha experiência aos outros.
 
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