A irmã Ann-Marie, da Austrália, reflete sobre o desafio de sua vocação marista e as imagens que a têm ajudado a viver seu apelo.
O meu chamado para viver a vida de uma irmã Marista tem sido seja enriquecedor seja desafiante. Como pessoas humanas cada situação no mundo de hoje tão complexo e que muda com tanta rapidez exige uma resposta nossa. A Espiritualidade Marista me dá uma postura através da qual enxergo a vida e uma estrutura dentro da qual posso viver minha vida. Meu chamado a ser Marista é chamado a entrar no coração do Evangelho para poder levar o amor de Deus para o mundo e contribuir à construção da Igreja Marial. Maria me escolheu para abraçar uma espiritualidade que me torna capaz de ser presença dela no mundo de hoje e fazer a obra dela.
Viver como Marista é então um desafio a ‘ser’ de um certo jeito – o jeito de Maria. Como Irmã Marista sou chamada a ver todos os acontecimentos e circunstâncias da minha vida através de uma ótica particular – a de Maria que por natureza é a do seu Filho. É muito mais do que fazer alguma tarefa específica ou pertencer a um grupo fortemente unido. Precisa envolver todo o meu ser e encontrar expressão nos meus dons particulares e minha personalidade. Enquanto traz a simplicidade à vida é radical e desafiante na sua implementação.
Central à espiritualidade Marista é o chamado a ‘pensar, julgar, sentir e agir como Maria’. Enquanto estas palavras são citadas freqüência a importância da ordem delas não é sempre reconhecida. Quanto mais conheço e compreendo a mente e o coração de Maria, tanto mais meus julgamentos, sentimentos e ações refletirão os dela e darão expressão àquilo que está no coração da Espiritualidade Marista.
Pensar, julgar, sentir e agir como Maria. Isto me desafia a viver uma vida de oração. Isto me tem colocado num caminho de vida, caminho que me compromete a contemplar a vida de Maria e a sua resposta ao chamado de levar o seu Filho para o mundo.
Tem tantas imagens de Maria que continuam a enriquecer o meu entendimento dela e que contribuem à minha tentativa de ser presença dela no mundo de hoje. Mais natural para a reflexão é a de Maria como Mãe.
Uma mãe é a primeira a antecipar um problema e como Maria fez nas bodas de Caná rapidamente entra e oferece uma solução. Mas o laço mais forte com seus filhos encontra-se não nas tarefas que cumpre mas na sua presença na vida deles. Para uma mãe cada filho é único e especial. Alegra-se no seu filho. Procura o que é bom em vez de lamentar-se com as limitações dele. A sensibilidade da mãe, a presença compassiva de uma mãe, o jeito que alimenta, o sacrifício de si, forte mas tenra, tudo descreve as características centrais da Espiritualidade Marista. A maternidade evoca a força e a convicção e responde com vigor diante da injustiça. Tem um jeito particularmente sensível diante dos mais vulneráveis. Na minha vivência da espiritualidade Marista o seu lado sensível, compassivo e tenro deve juntar-se à ação apaixonada diante da injustiça.
Outra imagem que tem enriquecido o meu entendimento de Maria e me dado uma ótica através da qual posso viver a minha vida é a de ‘parteira’. Uma parteira tem papel significativo no nascimento. Na luta de uma nova vida que nasce, a parteira guia, encoraja, ajuda e participa no processo. Ela se adapta às circunstâncias cambiantes e todo o tempo continua ligada à tarefa de trazer a nova vida para a luz. A parteira não procura atenção e muitas vezes nem se sabe o nome dela, é rapidamente esquecida. Ela não se apega à tarefa e quando a criança nasce, a parteira rapidamente fica do lado.
Uma imagem querida aos Maristas desde a nossa fundação é a de Maria presente no meio dos Apóstolos no dia de Pentecostes. É imagem dinâmica, não estática. Maria está presente no nascimento da Igreja não somente no dia de Pentecostes mas em todos os tempos. Ser presença de Maria no mundo de hoje me desafia a levar Cristo para nascer nas mentes e corações dos que encontro. Este desafio abraça tudo e aplica-se igualmente aos mais pequenos encontros e aos acontecimentos significativos. A simplicidade Marista requer que me envolvo na vida quotidiana numa maneira vital mas despretenciosa. Me desafia a viver o chamado do Fundador e dizer não à cupidez, ao poder e ao prestígio.
Ao longo da minha vida também senti-me inspirada pela imagem de Maria, a Discípula Modelo de Jesus, colocando-se como ponte entre Deus e a humanidade. Chamada a caminhar nas pegadas de Maria esta imagem engloba bem simplesmente a missão que me foi confiada no meu batismo. Diante do mundo devo encontrar o seu coração e conduzí-lo a Deus. Os desafios da minha vida encontram-se nos acontecimentos da minha vida do dia-a-dia, nas dificuldades e na auto-transcendência inerente numa vida de serviço.
Acredito que a Espiritualidade Marista é espiritualidade para todos os tempos e que o mundo complexo e materialista de hoje clama por isso. Fala para aquilo que encontra-se bem no coração do ser humano. Para mim a vivência desta espiritualidade tem sido algo seja significativo seja gratificante. É fonte de grande paz e felicidade. Mas é também desafiante e exigente. Sinto-me confiante sabendo que enquanto procuro assumir o coração orante e contemplativo de Maria ela caminha comigo na vida, guiando-me e dirigindo-me. Na medida que deixo Maria fazer isto, posso ser confiante que estou fazendo a obra dela no mundo de hoje. |